LeiLu · 25/10/2026 06:46
7 em cada 10 brasileiros estão adiando a parentalidade, e a carreira é o principal motivo, aponta pesquisa
Quando ter um filho deixou de ser só uma questão de querer. É o que mostra, em números, o relatório “A Postergação da Parentalidade no Brasil: explorando as implicações do ‘tempo certo’”, lançado este mês pelo Movimento Parent in Science em parceria com a iniciativa Mãe aos 40. A pesquisa ouviu 2.116 pessoas de todas as regiões do país e chegou a um retrato que muita gente vive na pele, mas poucas veem traduzido em dados: a maioria dos brasileiros está deixando os filhos para depois, e não exatamente porque quer.
Diversos fatores têm feito casais postergarem a parentalidade, aponta novo estudo Magnific “Trimestre zero”: moda nas redes sociais gera alerta sobre fertilidade Entre os participantes, 70,7% afirmaram ter adiado ou estar adiando a parentalidade. O comportamento é mais comum entre as mulheres, 73,6%, do que entre os homens, 50,6%. E o motivo campeão, disparado, tem nome e sobrenome: carreira.
A prioridade dada ao trabalho ou à educação foi citada por 88,8% dos respondentes, seguida pela falta de estabilidade financeira (54,7%), pelas dúvidas sobre querer ou não ter filhos (39,5%) e pelas restrições financeiras (32,6%). Para Fernanda Staniscuaski, coordenadora do Parent in Science, os dados ajudam a tirar a discussão do terreno da culpa individual. “Durante muito tempo, a postergação da parentalidade foi tratada como uma escolha individual, como se dependesse apenas da vontade de cada pessoa. Os dados mostram que essa decisão acontece dentro de um contexto: carreira, renda, condições de trabalho, relações afetivas, acesso à informação e possibilidades de planejamento reprodutivo.
Precisamos discutir não apenas quando as pessoas querem ter filhos, mas quais condições estamos oferecendo para que elas possam fazer essa escolha de maneira realmente livre e informada”, afirma. Quando adiar vira quase obrigação Se a carreira é o motivo mais citado, os números deixam claro que, para muita gente, não se trata bem de uma opção confortável. Nada menos que 74,1% dos participantes concordam que adiar a parentalidade foi ou será necessário para alcançar objetivos profissionais, percentual que sobe para 74,9% entre as mulheres.
Ou seja, a maternidade e o crescimento no trabalho ainda são vividos como um jogo em que avançar em um casa significa recuar no outro. E a sensação de desamparo é a regra, não a exceção. Apenas 29,9% dos respondentes acreditam que a instituição onde trabalham oferece suporte adequado para conciliar trabalho e parentalidade, enquanto 46,8%
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