LeiLu · 07/11/2026 06:15
Como é morar no Edifício Albatroz, no centro de São Paulo
Filho de poloneses imigrados no final dos anos 1920 para o Brasil, João Kon graduou-se arquiteto na Universidade Presbiteriana Mackenzie, na capital paulista, seguindo seu irmão mais velho, Samuel, que ali cursava engenharia civil. Aos 21 anos, ainda antes de se formar, desenhou seu primeiro projeto, o Edifício Primavera, que fica na rua Peixoto Gomide, nos Jardins. Nele, já existia a solução de janelas com sistema de contrapeso que posteriormente iria colorir a fachada do Edifício Albatroz, que fica no centro da cidade.
Batizado de Janela Ideal pela empresa fabricante Collavini & Cia, o sistema de esquadrias idealizado pelo arquiteto Vilanova Artigas na década de 1940, e amplamente disseminado nos anos seguintes, está presente em diversos prédios desenvolvidos por Kon junto a seu pai e seu irmão. O edifício Albatroz surge na esquina das ruas General Jardim e Veridiana, região central de SP, como um grande painel gráfico formado por janelas vermelhas e brancas em madeira André Scarpa/Divulgação No Albatroz, a fachada ganha ritmo com a alternância entre módulos de janelas de madeira, pintadas de branco e vermelho, e os caixilhos em ferro que se estendem do piso ao teto da sala, conjugados às delicadas varandas revestidas de pastilha de porcelana branca. Leia mais Essa configuração transforma a fachada do edifício-lâmina, de nove pavimentos com quatro apartamentos por andar, em um grande painel que se modifica conforme as venezianas se abrem e fecham.
Maria Clara contempla a vista da varanda voltada para o nascente André Scarpa/Divulgação A liberdade estrutural que resulta nos amplos vãos da fachada é a mesma que permitiu a conexão total da sala com a cozinha, possibilidade essa que a gerente de projetos Maria Clara Moraes já valorizava quando morava em um apartamento alugado no mesmo prédio. Quando soube de outro apartamento à venda no edifício, não teve dúvidas quanto a adquiri-lo, ocasião na qual chamou os arquitetos Rosário Pinho e André Scarpa para uma intervenção que buscou valorizar os elementos originais, além de potencializar as qualidades do imóvel, como a ventilação cruzada, por exemplo. A moradora Maria Clara está junto à mesa de jantar na cozinha aberta para a sala, onde o marmorite encontra o parquet André Scarpa/Divulgação O piso de parquet quadriculado com duas madeiras e o marmorite original da cozinha foram mantidos e recuperados.
Também foi preservado o painel folheado em madeira em uma das laterais da sala, solução original imaginada por
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