LeiLu · 26/10/2026 04:00

Estudo genético sobre endometriose confirma que a doença não é só ginecológica; o que isso significa?

Estudo genético sobre endometriose confirma que a doença não é só ginecológica; o que isso significa?

Em meados de 2026, pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, em colaboração com uma equipe internacional de cientistas, publicaram o maior estudo genético sobre endometriose já feito. Os especialistas analisaram os genomas de mais de 1,4 milhão de mulheres para entender os mecanismos biológicos por trás da doença que afeta aproximadamente 10% das mulheres e pessoas com útero em todo o mundo. As conclusões da pesquisa foram publicadas na revista Nature Genetics.

Os autores descobriram que a doença não deveria ser tratada apenas como ginecológica, já que as variantes genéticas encontradas envolvem sistemas imunológicos, inflamatórios e hormonais em múltiplas partes do organismo. Isso explica enxaqueca, fadiga, ansiedade e dor abdominal crônica que mulheres com endometriose relatam, mas raramente associam à doença. "Este estudo amplia nossa compreensão dos fatores de risco genéticos para a endometriose e fornece suporte molecular para várias hipóteses importantes sobre sua patogênese", afirma Dora Koller, PhD, autora principal, pesquisadora afiliada à Escola de Medicina de Yale e investigadora principal do Grupo de Pesquisa em Saúde da Mulher e Perinatal do Instituto de Pesquisa Sant Pau, em Barcelona, ​​Espanha. A endometriose é caracterizada pela presença de células semelhantes ao endométrio (tecido que reveste o útero) fora do útero.

Elas podem se fixar nos ovários, nas trompas, no intestino, na bexiga e em outras regiões do abdome e da pelve, provocando inflamação, aderências e dores intensas. Esta é uma doença que preocupa porque pode comprometer significativamente a qualidade de vida de quem é acometida, já que pode ser associada à dor pélvica crônica, à dor durante a relação sexual, a alterações intestinais e urinárias e à dificuldade para engravidar. "A endometriose é uma doença complexa e bastante heterogênea. Durante muito tempo, a investigação ficou concentrada principalmente nos aspectos ginecológicos e reprodutivos, enquanto outras possíveis repercussões da doença receberam menos atenção.

Ainda precisamos compreender melhor os mecanismos inflamatórios, metabólicos e imunológicos envolvidos para entender por que algumas mulheres desenvolvem formas mais graves e por que os sintomas e a resposta aos tratamentos são tão diferentes", explica o endocrinologista Rafael Suhett, do Rio de Janeiro. A endocrinologista Fernanda Parra, de São Paulo, explica que o grande diferencial deste estudo é a dimensão dele. Os pesquisadores analisaram d

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