LeiLu · 07/11/2026 06:00
‘Hormoniofobia’: pesquisa revela como buscas na internet alimentam o medo de contraceptivos
A certeza sobre a eficácia da pílula é consenso para quase todas as brasileiras, porém a desconfiança relacionada à segurança do método atinge mais de 80% da população feminina. O abismo entre esses números revela muito sobre como as mulheres se relacionam, hoje, com o anticoncepcional mais usado do país: 92% reconhecem sua eficácia para evitar a gravidez, mas apenas 18% acreditam plenamente no método. A desconfiança não encontra respaldo na ciência, pois a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o contraceptivo oral como altamente seguro para mulheres saudáveis, com taxa de falha de um para cada 100 usuárias.
Os dados compõem uma pesquisa conduzida pela farmacêutica Libbs, com o apoio da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), que ouviu 500 mulheres entre 16 e 45 anos de diferentes classes sociais e regiões do país. O levantamento investigou como as participantes se informam e quais dúvidas levam para o consultório em meio ao ecossistema digital, um cenário refletido globalmente por mais de um bilhão de visualizações sobre contracepção acumuladas apenas no TikTok. A ampla exposição a conteúdos digitais sem curadoria científica alimenta o que fenômeno que especialistas nomearam de "hormoniofobia": um medo exacerbado em relação ao uso de hormônios que extrapola os riscos reais.
Esse movimento gera um alarmismo que afasta mulheres de métodos contraceptivos adequados. Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), o endocrinologista Renato Zilli identifica que a origem desse comportamento está na desinformação e na generalização de experiências individuais nas redes sociais. "É importante lembrar que hormônios sintéticos não são todos iguais e que seus efeitos dependem da substância, da dose e das características de cada pessoa. Existem riscos reais, como o aumento de eventos trombóticos com determinados contraceptivos, mas muitos efeitos atribuídos aos hormônios não têm comprovação de uma relação causal.
Precisamos avaliar as evidências científicas e individualizar os riscos, sem minimizar as queixas das pacientes nem transformar experiências isoladas em verdades absolutas". Entre as crenças identificadas pela pesquisa, está o medo dos efeitos colaterais da pílula, citado por 74% das mulheres. Na sequência, 59% acreditam que os hormônios “desregulam” o organismo; 45% acham necessário “pausar o corpo” durante o uso; e 22% associam o método à infertilidade permanente. "Hoje, a paciente chega a
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