LeiLu · 25/10/2026 04:30
Irmãs criam movimento 'pink pill' para satirizar o machismo nas redes: 'É para incomodar'
Ao longo dos últimos anos, o termo red pill ultrapassou os fóruns da chamada machosfera, ecossistema digital conhecido por propagar ideias misóginas, e passou a ser associado a homens antifeministas. Em resposta a esse movimento, as irmãs Hyla Natiely, de 22 anos, e Cah Fernandes, de 26, decidiram criar o Seja Pink Pill, uma página voltada para mulheres que defendem a autonomia feminina como caminho para a igualdade de gênero. No Instagram, elas centram a proposta do projeto em ironizar o conteúdo misógino que circula na internet e já conquistaram mais de 270 mil seguidores em apenas cinco meses.
Nos vídeos, as irmãs se apresentam em trajes hiper-femininos, em geral na paleta cor-de-rosa. “Usamos tudo de uma maneira satírica. O rosa está sempre aparecendo em coisas que normalmente não são delicadas: dinheiro, arma, faca. Ele aparece nesse lugar de uma feminilidade que é afiada e perigosa”, diz a idealizadora Cah, em entrevista à Marie Claire. + ‘Por Dentro da Machosfera’: documentário expõe contradições de influenciadores red pill Naturais da Bahia, elas atuam na internet há cerca de 11 anos e dividem a produção de conteúdo da página.
Hyla, administradora, fica responsável pelas esquetes de humor, enquanto Cah, psicóloga, aborda pautas sociais e questões raciais. Hyla brinca que há uma semelhança com o conteúdo red pill: assim como os homens que se definem a partir do termo, elas também só falam de mulher na página. Isso porque a Seja Pink Pill procura criar um espaço que não coloque o público masculino no centro da conversa. “O meu intuito não é fazer com que red pills deixem de ser red pills.
Mas fazer com que a mulher que é afetada por esse discurso se sinta potente para enfrentá-lo, para trabalhar e ter uma autoestima mais elevada. Para fazer luta, a gente precisa ter autoconfiança”, diz Cah Fernandes. As ideias propagadas pela machosfera costumavam ficar restritas a fóruns da deep web, ambiente digital não indexado nos mecanismos de buscas, ou em plataformas como Reddit, Discord, 4chan e Telegram.
Atualmente, no entanto, elas passaram a circular também em cortes de podcasts e vídeos curtos nas redes sociais, alcançando públicos para além desses espaços. A disseminação desses discursos alimenta o debate sobre a violência de gênero e chegou a pautar o Congresso Nacional. Em Março de 2026, o Senado aprovou o PL 896/2023, que propõe incluir a misoginia entre os crimes de preconceito ou discriminação. + ‘De revirar o estômago’: pesquisadoras revelam o que
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