LeiLu · 07/11/2026 09:01
Por que jovens tentam passar mais tempo longe das telas
Por Lucas Rocha, da Agência Einstein Às vezes, Giovana Ventura pega o celular porque precisa conferir um dado do trabalho. A jornalista de 29 anos atua com redes sociais e, portanto, precisa acompanhá-las também por razões profissionais. O problema começa quando, no caminho até a informação que procurava, ela abre o Instagram na conta pessoal, assiste a um vídeo e continua rolando a tela. “Quando vejo, já estou há 20 minutos vendo stories ou vídeos no reels, e daí me dou conta e falo: ‘Meu Deus, eu precisava fazer uma coisa para o trabalho’”, relata.
Estudo explica por que os jovens passam tanto tempo em frente às telas Freepik Crescer lança "O Feed Pode Esperar", movimento que mostra o impacto que o tempo de tela dos pais tem na vida dos filhos Giovana começou a notar que lia menos livros, via menos filmes e deixava tarefas domésticas para depois. Também passou a se incomodar ao sair com amigos e perceber todos olhando para os próprios aparelhos. Por isso, começou a retirar notificações, silenciar grupos, deixar o celular na bolsa e combinar períodos sem telefone com pessoas próximas .
Mas ela está longe de abandonar a internet: a tentativa é reduzir o uso e recuperar algum controle sobre uma ferramenta necessária para o trabalho, a comunicação, o acesso às notícias e boa parte da vida cotidiana. Essa distinção é importante também do ponto de vista médico. “O detox digital não é um conceito clínico, não é um diagnóstico ou um termo médico específico”, afirma o psiquiatra Gabriel Okuda, do Einstein Hospital Israelita. O uso problemático de smartphones, redes sociais ou da internet em geral não aparece como um transtorno mental no DSM-5-TR, manual da Associação Americana de Psiquiatria, nem na CID-11, classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Por isso, simplesmente contar quantas horas alguém passa diante da tela não é suficiente para definir um problema. Contexto e função também importam. Uma pessoa pode precisar do telefone durante grande parte do dia para trabalhar, enquanto, em outro caso, um tempo menor de uso pode estar acompanhado de perda de controle e prejuízos importantes. “O tempo de uso da tela é muito importante, mas ele não conta tudo”, diz Okuda.
Entre os sinais que merecem atenção estão a dificuldade persistente de reduzir o uso, o ato de checar o aparelho de modo automático ou compulsivo, o abandono de atividades importantes, o prejuízo ao sono, ao trabalho ou aos estudos e a continuidade do comportamento mesmo diante de consequê
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