LeiLu · 06/11/2026 16:49
Por que o Brasil ainda não tem canetas de adrenalina para tratar choque anafilático?
A morte da ex-apresentadora da RedeTV! Janaína Barbosa aos 48 anos, após um choque anafilático, levantou nas redes sociais o debate sobre a falta de canetas autoinjetáveis de adrenalina no Brasil. Barbosa teria sofrido a reação fatal após o uso de um remédio.
Em casos como esse, a aplicação de adrenalina (também chamada de epinefrina) é o tratamento de primeira linha e o único medicamento capaz de reverter rapidamente sintomas graves. No país, porém, a substância é disponível apenas em ampolas de solução injetável para uso hospitalar, demandando que o paciente se desloque a uma unidade de saúde em caso de choque. Já versões em canetas que o próprio alérgico pode ter em casa, como a EpiPen, ainda não têm registro aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Assim, o produto só pode ser adquirido por importação, a um custo elevado — o valor pode superar os R$ 2.000, variando conforme o câmbio. Continua após a publicidade Mas por que essas medicações, disponíveis em países como os Estados Unidos desde 1980, ainda não são comercializadas no Brasil? A falta de interesse comercial Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) explica que a ausência das canetas no país é resultado de uma combinação de fatores.
Entre eles, estão o baixo interesse da indústria farmacêutica, os custos de produção, a escassez de dados sobre a incidência da anafilaxia no Brasil e a falta de incentivos governamentais para viabilizar a compra dos dispositivos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Para começar, dados da Asbai indicam que apenas 32% dos 195 países do mundo fabricam autoinjetores de adrenalina para prevenção e tratamento da anafilaxia. Continua após a publicidade Com isso, o abastecimento depende tanto do interesse de empresas brasileiras em começar a desenvolver a fabricação quanto de fabricantes estrangeiras em comercializar o produto no mercado nacional.
A grande questão é que, até o momento, esses movimentos não se concretizaram. Em 2025, uma nota técnica da Anvisa, elaborada a pedido da Câmara dos Deputados, revelou que não havia nenhum pedido de registro de canetas autoinjetáveis de adrenalina em análise naquele momento. Questionada sobre a série histórica dos últimos cinco anos, a agência confirmou que não havia recebido nenhuma solicitação em todo o período.
Para que uma medicação seja comercializada, cabe à indústria interessada apresentar um dossiê com a documentação administrativa e as comprova
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