LeiLu · 18/10/2026 04:00
Uma receita japonesa para aceitar a passagem do tempo
“O melhor da vida é descer a ladeira”. O título do primeiro capítulo do livro A coragem de envelhecer: como a filosofia pode ajudar você a aceitar os efeitos da passagem do tempo é, claro, uma provocação. Seu autor, o filósofo e psicólogo Ichiro Kishimi, questiona o motivo de as pessoas lamentarem tanto o envelhecimento e diz que, nas sessões de terapia, costuma perguntar aos pacientes: “Você gostaria de voltar a ser como era aos 18 anos?”.
A maioria responde que em hipótese alguma. “Eles não acham que basta ser jovem para ser feliz. Ou seja, a juventude não é necessariamente superior à velhice”, afirma. Kishimi é um seguidor de Alfred Adler, psiquiatra e psicólogo austríaco contemporâneo de Sigmund Freud que seguiu um caminho independente.
Um dos conceitos centrais de seu trabalho é a força motivadora que leva o indivíduo a buscar o crescimento e a superação de obstáculos. O filósofo e psicólogo Ichiro Kishimi, autor de A coragem de envelhecer: como a filosofia pode ajudar você a aceitar os efeitos da passagem do tempo Divulgação “O importante não é se comparar com o outro para saber se está acima ou abaixo dele, e sim dar um passo à frente para transformar a própria realidade e evoluir. Precisamos abandonar a lógica da produtividade e deixar de julgar os outros e nós mesmos pelo que produzimos.
Esse é o ambiente do trabalho, um espaço de competição no qual somos avaliados permanentemente. Ao envelhecer, devemos nos afastar desse sistema de valores”, escreve. Na sua avaliação, há três requisitos para se tornar um adulto de verdade: Ser capaz de reconhecer seu próprio valor, independentemente da opinião alheia; Tomar decisões e assumir a responsabilidade pelas próprias escolhas; Evitar o egocentrismo: “Assim como não vivemos para satisfazer as expectativas e demandas alheias, ninguém vive para satisfazer as nossas expectativas e demandas”, detalha.
Aos 50 anos, o escritor teve um infarto e, um ano depois, se submeteu a uma cirurgia para a colocação de uma ponte de safena. “Adoecer gravemente é difícil. Muito pior do que as dores, as dificuldades e os desconfortos causados pela doença é não ter certeza de que estaremos vivos amanhã”, conta no livro. E compartilha seu sentimento de angústia: “Depois do medo da morte, passei a sentir um desespero: se não for capaz de fazer nada, talvez minha vida não tenha valor.
Mas, certo dia, refleti: e se a pessoa internada fosse um familiar ou grande amigo? Eu ficaria grato por ela estar viva, então percebi que o mesmo s
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