LeiLu · 26/10/2026 08:08

Após mastectomia, Luiza Mariani leva sua história ao teatro: "Tirei o peito e me libertei"

Após mastectomia, Luiza Mariani leva sua história ao teatro: "Tirei o peito e me libertei"

Foram quatro cirurgias e décadas tentando se encaixar em padrões de beleza. Até que um diagnóstico de câncer mudou a relação de Luiza Mariani com o próprio corpo e deu origem a uma investigação que agora chega aos palcos. Na sexta (29), a atriz estreia no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro, o solo autoral O que meu peito carrega sobre mim, com direção de Bia Lessa.

A partir da própria história, ela propõe uma reflexão sobre como os seios femininos foram vistos, desejados, censurados e controlados ao longo dos séculos. Aos 22 anos, Luiza fez uma redução das mamas. Aos 37, colocou próteses de silicone.

Em 2025, aos 44, foi submetida a uma mastectomia dupla após receber o diagnóstico de carcinoma. “Passei a vida inteira negociando com o meu peito: grande demais, pequeno demais, caído demais, doente demais. Tirei os peitos e me libertei”, conta. A experiência também ampliou seu olhar sobre as pressões sociais impostas às mulheres: “Nossa relação com o peito feminino não é pessoal, é civilizatória”.

A partir dessa percepção, o espetáculo percorre referências que vão da deusa Diana de Éfeso à Inquisição, passando pela cultura dos implantes dos anos 1990. "Em cada época, o peito ideal muda, mas a lógica não: alguém de fora decide o que ele deve ser. Sagrado, censurado, sexualizado. Raramente foi simplesmente da mulher." Nesta entrevista para a Glamour, a atriz fala sobre as transformações físicas e emocionais que atravessou, a pressão estética e e o caminho para se reconciliar com sua imagem. “O meu peito, finalmente, ou por ora, serve só a mim”, diz.

A peça parte de uma experiência muito íntima, mas acaba abordando questões que atravessam a vida de muitas mulheres. Em que momento você percebeu que sua história pessoal poderia virar uma peça? Depois da última cirurgia, em fevereiro de 2025, fui me dando conta de que tinha passado a vida inteira negociando com o meu peito: grande demais, pequeno demais, caído demais, doente demais.

Quatro cirurgias, cinco peitos diferentes. Então comecei a me perguntar: de onde vem a nossa relação com o peito feminino? Pouco depois, dei uma entrevista no Sem Censura falando sobre a descoberta do carcinoma, e dezenas de mulheres começaram a me escrever para dividir suas histórias.

Pesquisando, fui entendendo que nossa relação com o peito feminino não é pessoal, é civilizatória. Daí veio a urgência de contar uma história para além da doença, para além de mim. Você conta que passou boa parte da vida negociando com o próprio peito.

Quan

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