LeiLu · 04/11/2026 09:13
Caminhos para sustentabilidade: como os dados devem ser divulgados?
A sustentabilidade já está na pauta de marcas grandes e pequenas. O que ainda pesa é saber por onde começar e quais ferramentas usar no caminho, já que a transição é um processo contínuo, não uma ação pontual. É nesse ponto que normas internacionais, como as da GRI (Global Reporting Initiative) ajudam, pois elas padronizam como os dados e as informações são compartilhados.
Nas Américas, 70% das maiores empresas já usam a GRI para relatar, segundo a pesquisa de 2024 da KPMG. Agora, a organização lança uma Norma específica para o setor têxtil e de vestuário, e a mudança é grande. Hoje, explica Andrea Pradilla, diretora global de Regiões e diretora para a América Latina da GRI, "a maioria das marcas decide por conta própria o que contar ao mundo e, com muita frequência, conta apenas as boas notícias".
A Norma muda esse jogo. Ela lista 18 temas de impacto, provavelmente materiais, ou seja, fundamentais para o setor, como clima, água, químicos perigosos, trabalho forçado, salários e jornada. Quem reporta pela GRI precisa avaliar todos eles e, se descartar algum, explicar o motivo publicamente. “O silêncio deixa de ser uma opção”, resume Andrea.
Na prática, isso deve trazer à tona informações que raramente aparecem nos relatórios, como quem são os fornecedores mais significativos e onde ficam as fábricas, qual é a diferença salarial entre homens e mulheres (nos fornecedores e na sede) e como a marca previne assédio e controla a jornada de trabalho. As próprias práticas de compra também entram na conta, já que as marcas serão questionadas sobre se pressionam os fornecedores a recorrer a horas extras excessivas. Boa parte dessa lógica nasce de um problema simples de entender.
Uma peça de roupa pode passar por fazendas de algodão, fiações, tinturarias e oficinas de costura em vários países antes de chegar à loja que pode estar ainda em outro país. "Não se pode gerenciar o que não se consegue enxergar", diz Andrea. Por isso, a Norma vai além dos fornecedores diretos e pede que as marcas mapeiem a cadeia em níveis, das matérias-primas à montagem final. Também entram aí os trabalhadores que produzem em casa e os intermediários que subcontratam serviços, onde estão os profissionais mais invisíveis do setor.
Para a América Latina, o tema tem peso extra. O Brasil é hoje o maior exportador de algodão, o Peru fornece a maior parte da fibra de alpaca do mundo e a região tem uma indústria de couro importante. Saber provar de onde vem um produto e como ele foi feito vira, cad
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