LeiLu · 26/10/2026 04:00
Como a perfumaria asiática está conquistando o mercado mundial de fragrâncias
Não se surpreenda se, em breve, você trocar seu Santal 33, da Le Labo, pelo Drunk Lovers, da marca sul-coreana Born To Stand Out, ou pelo Santal Cream, da Nonfiction. Puxado pela Coreia do Sul, o mercado de fragrâncias da Ásia-Pacífico passou de US$ 3,2 bilhões em 2019 para US$ 4,9 bilhões em 2024, segundo dados da empresa de pesquisa de mercado Euromonitor. Depois de revolucionar ativos, tecnologias e nossa própria relação com a beleza, agora é a vez das marcas asiáticas se tornarem grandes referências na perfumaria mundial. “A cosmética sempre precedeu o perfume.
A evolução da perfumaria sul-coreana é natural, quase uma extensão da K-beauty”, analisa Anne-Laure Pouquet, diretora de criação olfativa da empresa de fragrâncias International Flavors & Fragrances. A Coreia do Sul vem transformando também a maneira como compramos perfumes. “Em Seul, as lojas são totalmente imersivas, verdadeiras experiências artísticas”, diz Pouquet. Basta pensar na marca Tamburins, do grupo Gentle Monster, que cria grandiosas instalações artísticas em suas flagships, ou na Nonfiction, com espaços intimistas que lembram uma galeria de arte.
Antes do frasco, há um universo no qual mergulhar. “Ao contrário da perfumaria do Oriente Médio e da Europa, cuja tendência atual são fragrâncias opulentas, a perfumaria asiática é mais íntima, feita para si, e não para os outros”, aponta Renata Abelin, diretora de inovação e marketing da empresa de fragrâncias Givaudan Brasil. Uma preferência cultural de lá: para gerações anteriores, aromas muito perceptíveis podiam ser associados à vida noturna e até a certa vulgaridade. O ato de se perfumar era sutil: durante as dinastias coreanas Goryeo (918-1392) e Joseon (1392-1897), carregava-se junto ao corpo os hyangnang, pequenos sachês aromáticos utilizados também como ornamentos.
Criador da marca BornToStandOut, recém-chegada ao Brasil, Jun Lim concorda: “Nós valorizamos o discreto, o suave – um perfume que cheire exata mente como a sua própria pele”. A label é parte de uma nova geração disruptiva, conhecida por subverter códigos culturais na identidade visual e na formulação das fragrâncias. O perfume Dirty Rice, desenvolvido a partir de 2020, antes da atual febre dos ultra gourmands (inspirados na confeitaria e na gastronomia), nasceu do cheiro do vapor que escapa da panela quando o arroz termina de cozinhar.
Assinado pelo perfumista Olivier Cresp, associa arroz basmati ao leite, sândalo, almíscar e madeiras. A marca desafia também os limites
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