LeiLu · 04/11/2026 04:30
Deputada Ana Elisa relata três ameaças de morte por dia: ‘Ando com escolta 24 horas’
Antes de conquistar 524.219 votos e uma cadeira na Câmara dos Deputados, Ana Elisa Santos Silva já discutia política, racismo, feminismo e direitos sociais nas redes. Aos 21 anos, a estudante de Direito, eleita pelo PT, foi a segunda mais votada de Minas Gerais para o cargo e a mulher com a maior votação da história mineira para a Câmara. Nascida em Divinópolis, estudou na rede pública e estagiou no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais.
Criada por uma mãe solo que era professora da rede pública, ela conheceu a política acompanhando a mãe no movimento sindical. Outra parte de sua formação vem do Reinado, tradição religiosa e cultural afro-brasileira que reúne devoção católica e ancestralidade africana. Sua família tem raízes em Oliveira, no interior mineiro, e ela participa das celebrações desde os 2 anos.
A eleição trouxe restrições à sua liberdade. Ana Elisa denunciou ameaças racistas e de violência sexual e, nesta conversa, realizada à distância por segurança, relata viver com escolta 24 horas por dia. Entrevistada antes do segundo turno presidencial, ela defendeu acolhimento para a juventude, discutiu as barreiras impostas a uma mulher negra na política e falou da saudade da família.
O que sua vitória diz sobre a participação dos jovens na política? Acho que não foi apenas a minha vitória. As urnas demonstraram, nos dois campos políticos, uma sede de mudança, uma vontade de renovação.
Quando falo em renovação, não me refiro apenas à idade. É a possibilidade de colocar uma pessoa como eu nesses lugares e de abrir caminho para que, daqui a quatro anos, outras pessoas também possam almejá-los. As pessoas têm rejeitado a velha política, mas, quando falo nisso, não estou me referindo às pessoas mais velhas.
Refiro-me a uma forma ultrapassada de fazer política, que já não queremos ver. Você cresceu acompanhando sua mãe no movimento sindical dos professores. O que dessa formação quer levar para Brasília?
Quero levar para Brasília tudo o que aprendi com minha mãe, que é professora, e com o movimento sindical dos professores. A luta pela educação não é uma luta exclusiva dos professores, nem dos filhos de professores. É uma luta de toda a sociedade civil que se importa com o futuro da nação.
A que atribui a resistência à sua candidatura? Ao fato de ser jovem, mulher e negra? Houve resistência, como acontece em todos os espaços, mas acredito que não podemos ser ingênuos a ponto de pensar que minha juventude seja um fator mais determinante do que minha co
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