LeiLu · 06/11/2026 03:19
Making Marie Antoinette: documentário reconstrói Sofia Coppola pelo olhar da mãe, Eleanor
"Pobre menininha. Você não era o que desejavam, mas não é menos querida por mim. Um menino seria o filho da França, mas você, Marie Thérèse, será minha." - Maria Antonieta, em Maria Antonieta (2006), de Sofia Coppola.
A matrioska, boneca de origem russa, é conhecida por conter várias outras versões menores dentro de si. Não é à toa que seja associada à maternidade – seu próprio nome é um diminutivo de Matriona, nome tradicionalmente associado à figura materna. Ao longo da vida, uma mulher também carrega inúmeras outras dentro de si: uma mãe, uma avó, uma mulher que admira.
Às vezes por motivos óbvios, às vezes por algo não tão claro de compreender. Foi essa figura a primeira coisa que me veio à mente enquanto assistia Making Marie Antoinette, documentário lançado neste ano, dirigido por Eleanor Coppola e produzido por sua filha, Sofia Coppola. Nele, a diretroa revisita as imagens registradas pela mãe, que filmava a filha enquanto Sofia dirigia seu olhar para Maria Antonieta, uma mulher que viveu séculos antes delas.
Como numa matrioska, cada olhar contém outro. Sofia Coppola esteve no BFI London Film Festival deste ano para apresentar o documentário. Ao participar de uma Screen Talk organizada pelo British Film Institute, falou sobre sua trajetória e o processo de produzir e lançar Making Marie Antoinette.
A diretora contou que foi desconfortável revisitar a etapa de sua carreira registrada no documentário. Ao rever as filmagens, Sofia se encontrou mais jovem, inexperiente em algumas situações. Algumas opiniões haviam mudado, assim como sua maneira de trabalhar.
Sofia sempre se interessou pelo século XVIII, mas foi ao ler Marie Antoinette: The Journey, de Antonia Fraser, que seu interesse pela mais famosa rainha da França se consolidou. A imagem de Maria Antonieta chega até nós muitas vezes reduzida à figura de uma rainha frívola e indiferente ao sofrimento do povo, acompanhada de uma frase sobre brioches que lhe foi atribuída sem comprovação. Mesmo numa posição de enorme privilégio, sua representação também foi atravessada por ataques à sua condição de mulher.
Ela se tornou um dos rostos mais reconhecíveis dos excessos de uma monarquia que tinha um rei à frente. Há algo a considerar nessa maneira de distribuir a culpa e preservar uma imagem na memória. Ao perceber que Maria Antonieta tinha apenas 14 anos quando chegou à corte francesa, Sofia se perguntou como a própria garota contaria sua história: como tinha sido chegar a um país estrangeiro para se torn
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