LeiLu · 03/11/2026 06:00
'Muita vergonha e medo de sofrer agressões’: após diagnóstico de rosácea e isolamento, advogada cria primeira comunidade para acolher pacientes
O diagnóstico de rosácea mudou a vida da advogada e criadora de conteúdo Vanessa Cerqueira Gomes, aos 40 anos. Foram meses marcados por vermelhidões repentinas, exames inconclusivos e consultas frustrantes com especialistas que não conseguiam nomear o problema. A falta de respostas médicas, somada ao isolamento constante por receio do julgamento alheio, levou a carioca a fundar o "Rosácea Grupo", a primeira comunidade voltada para a doença no país.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) estima que a rosácea ocorre entre 1,5% a 10% das populações estudadas, sobretudo em adultos entre 30 e 50 anos. A entidade destaca a prevalência entre as mulheres, porém alerta que quadros apresentados por homens tendem a ser mais graves. A condição pode evoluir continuamente com o rinofima (aumento gradual do nariz por espessamento e dilatação dos folículos).
A dermatologista e especialista em cirurgia dermatológica Carla Vidal explica que a rosácea é uma doença inflamatória crônica cujo impacto ultrapassa os limites da pele. Por se manifestar em uma região muito exposta como o rosto, a condição pode comprometer a autoestima, a segurança e as relações pessoais. Ela faz com que muitos pacientes evitem fotografias, encontros pessoais ou profissionais e eventos sociais pelo receio de que a vermelhidão seja notada, avalia a profissional.
A especialista observa que o desconhecimento sobre a rosácea costuma gerar preconceito, mas ressalta que a doença não é contagiosa: ela não é transmitida pelo toque, compartilhamento de objetos ou proximidade. A condição está relacionada a uma predisposição individual e a alterações inflamatórias, vasculares e imunológicas. Vidal pontua que esse peso emocional exige atenção devido à relação direta entre estresse e agravamento das crises. "Situações de tensão ativam uma desregulação neurovascular, o que torna os vasos da face mais reativos e desencadeia o flushing (vermelhidão súbita e sensação de calor).
Há, inclusive, um ciclo nesses casos: a pessoa fica constrangida com a vermelhidão, sente ansiedade diante de situações sociais, o estresse favorece novas crises e essas manifestações aumentam ainda mais o desconforto emocional". A dermatologista destaca ainda que o tratamento exige um olhar integral e multidisciplinar focado em controlar a inflamação, melhorar a sensibilidade cutânea e o impacto psicológico. Atualmente aos 50, Vanessa Cerqueira Gomes relata que a rosácea começou a se manifestar um ano antes do diagnóstico.
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