LeiLu · 06/11/2026 10:11

Musical sobre Moraes Moreira poetiza a saga do artista com dramaturgia em cordel e cena eletrizada pelo Carnaval

Musical sobre Moraes Moreira poetiza a saga do artista com dramaturgia em  cordel e cena eletrizada pelo Carnaval

Cena de 'Moraes musical Moreira', espetáculo em cartaz no Teatro Carlos Gomes, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), até 29 de novembro Caio Lírio / Divulgação ♫ CRÍTICA DE MUSICAL DE TEATRO Título: “Moraes musical Moreira” Dramaturgia: Fábio Espírito Santo Direção: Ana Paula Bouzas Direção musical: João Milet Meirelles e Ronei Jorge Cotação: ★ ★ ★ 1/2 ♬ Quatro meses após a estreia nacional em Salvador (BA), “Moraes musical Moreira” aporta na cidade do Rio de Janeiro (RJ), onde o espetáculo ficará em cartaz no Teatro Carlos Gomes, de quinta-feira a domingo, até 29 de novembro. Cantor, compositor e músico que eletrificou o Carnaval da Bahia ao ao letrar “Double morse” (1975), tema instrumental do Trio Elétrico Dodô & Osmar, transformado em “Pombo correio” (1977) com os versos de Moraes., Antonio Carlos Moreira Pires (8 de julho de 1947 – 13 de abril de 2020) tem a vida poetizada neste musical de teatro em que a dramaturgia é estruturada na forma de cordel, gênero literário abraçado pelo artista, projetado em 1972 como integrante fundamental do grupo Novos Baianos, formado no fim dos anos 1960. Na primeira meia hora, o espetáculo soa meio viajante, com a poesia do cordel travando o desenvolvimento da ação, mas logo a narrativa ganha progressiva tração, a ponto de o musical terminar eletrizante, apoteótico, com a brasilidade e o espírito folião de grande parte do cancioneiro de Moraes Moreira. “Moraes musical Moreira” é espetáculo de cores vivas que faz ode à Bahia, estado natal do artista que veio ao mundo na interiorana Ituaçu (BA), enquanto expõe em cena a ideologia firme do artista que retrata com liberdade poética.

Sem seguir a cartilha dos musicais biográficos, até mesmo pelo uso do cordel para narrar alguns acontecimentos da vida de Moras Moreira, a dramaturgia de Fábio Espírito Santo põe a essência do artista em cena, tendo como mote inicial o cordel “De cantor pra Cantador” (2018), gravado por Moraes Moreira no álbum “SerTão" (2018). Nessa cena pautada pela alegria, Moraes é personificado duplamente de forma simultânea. Rodrigo Sestrem interpreta o Poeta Cantador, comentando e pontuando a ação, como moderna versão tropicalista do coro das tragédias gregas.

Já Cris Meirelles é o Vaqueiro do Som, personagem de cordel que simboliza Moraes na travessia artística e existencial de Iauaçu (BA) para Salvador (BA) e, anos depois, para o Rio de Janeiro (RJ), mas sem jamais perder a Bahia de vista do horizonte musical. Entre os dois, paira em cena a Musa Música, pe

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