LeiLu · 23/10/2026 06:20
Naoshima: conheça a curiosa ilha que abriga arte, arquitetura e cultura no Japão
Banhada pelo Mar Interior de Seto, no Japão, Naoshima integra o arquipélago de quase três mil ilhas do sul do país, célebre pelo clima ensolarado e pela paisagem natural. Antiga vila de pescadores com baixa densidade populacional, o destino atrai quase meio milhão de visitantes por ano graças a uma metamorfose que a consolidou como um polo mundial de arte, cultura e arquitetura. Apesar do território enxuto de apenas 8 quilômetros quadrados, a ilha reúne obras-primas do impressionismo, da arte contemporânea e da arquitetura moderna, assinadas por ícones como Claude Monet, Yayoi Kusama, James Turrell e Tadao Ando. "Podemos compreender Naoshima como um grande complexo vivo, formado por diversos museus e centros culturais de naturezas e escalas distintas", diz Natasha Barzaghi Geenen, diretora cultural da Japan House São Paulo.
A paisagem natural de Naoshima, banhada pelo Mar Interior de Seto, entrelaça colinas arborizadas, vegetação nativa e uma costa recortada Getty Images A ilha da arte A transição da ilha de pescadores para um respeitado centro cultural começou em 1985, fruto da visão compartilhada entre o então prefeito Chikatsugu Miyake e o empresário Tetsuhiko Fukutake, fundador da Benesse Corporation. A dupla idealizou um refúgio educacional e artístico onde crianças e visitantes do mundo todo pudessem se reconectar com a natureza, reestruturando a economia e a vitalidade local. No início do século 20, a instalação de refinarias de metal — como as operações da Mitsubishi Materials — impulsionou um vertiginoso ciclo de industrialização em Naoshima.
Se por um lado o surto produtivo trouxe prosperidade financeira, por outro legou um passivo ambiental severo, devastando a vegetação nativa e os ecossistemas locais. Leia mais Com o passar das décadas e as transformações da economia global, a atividade industrial perdeu força. A ilha passou, então, a enfrentar o esvaziamento populacional, o envelhecimento dos moradores e a evasão dos jovens rumo às grandes metrópoles, deixando para trás vilas inteiras em estado de abandono.
Foi exatamente sobre este cenário de ruína e retração que Chikatsugu e Tetsuhiko vislumbraram a reconversão cultural do território. Atualmente, Naoshima preserva seu ritmo pacato. O trajeto mais habitual para alcançar a ilha parte de Osaka e leva em torno de três horas, combinando etapas em trem-bala (shinkansen), trem regional e balsa.
Em Naoshima, a Red Pumpkin de Yayoi Kusama se une ao mar no Porto de Miyanoura. Oca e interativa, essa e
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