LeiLu · 07/11/2026 07:33
Síria bane mulheres em faculdades voltadas à defesa do país
Decreto visa, sobretudo, os véus islâmicos que cobrem todo o rosto das alunas, como a burca e o niqab (foto)Redação DW, Rayanne Azevedo Mudanças recentes nas regras de admissão universitária na Síria comprometeram os planos de Lin Najab. Aos 23 anos, a moradora de Damasco está entre as poucas mulheres de sua faculdade que estudam engenharia mecatrônica."Meu plano original era fazer um mestrado", conta Najab. Mas, no início de outubro, o Ministério da Educação da Síria anunciou novas regras para duas instituições recém-criadas: a Universidade Nacional de Ciências da Defesa e a Universidade Síria de Ciências da Segurança.
A primeira passou a restringir determinados cursos exclusivamente a homens; na segunda, a maioria dos cursos foi reservada aos homens.As novas políticas podem inviabilizar os planos de Najab. "Agora preciso começar a pensar em outras alternativas", afirmou. "Por exemplo, talvez tenha de me mudar para outra província para estudar."As mulheres sírias ainda podem cursar as áreas oferecidas pelas duas novas instituições voltadas à segurança, mas apenas em universidades ou faculdades de perfil mais generalista.Mudar-se para outra província, longe da família, traz desafios adicionais, acrescenta Najab. A acomodação estudantil em dormitórios costuma ser desconfortável e, em uma sociedade conservadora, mulheres vivendo sozinhas ainda enfrentam forte desaprovação social. "Mesmo que uma jovem decida não desistir e queira estudar fora de sua província, os pais tendem a se opor à ideia, seja por questões de segurança ou simplesmente porque não querem que as filhas estudem longe de casa", disse.Proibição gera controvérsiaA decisão de impedir a matrícula de mulheres em cursos das novas faculdades ligadas à defesa e à segurança provocou controvérsia dentro e fora da Síria."Gênero não define capacidade. O critério deveria ser o desempenho acadêmico, algo que me esforço para alcançar", argumenta Najab. "A Síria precisa de uma educação melhor e de bons profissionais formados.
Portanto, devemos identificar os mais qualificados, independentemente do gênero."Fatoun Kharbatli, ativista de Aleppo, também se opõe à limitação de determinadas áreas de estudo a apenas um gênero. "As pessoas deveriam escolher a área para a qual acreditam ter aptidão. Fomos reprimidos durante 60 anos. Agora precisamos construir uma nação alinhada à civilização global, sem abrir mão do respeito nem dos princípios básicos de nossa religião."Já Qamar al-Yaser, mãe de três filhos que vive
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