LeiLu · 26/10/2026 09:00
Tratamentos à base de canetas devem ser acompanhados por rede de profissionais
Em 30 anos, a obesidade entre adultos brasileiros mais do que triplicou, subindo de 7,8% para 27,7%, segundo estudo publicado recentemente pela revista científica The Lancet. Entre os 17 países latino-americanos analisados, o Brasil apresentou o maior crescimento no período. As estatísticas dão a dimensão de como a doença se tornou um dos principais desafios de saúde pública, porém os números não contam toda a história.
Por trás deles existe uma experiência que as medidas do corpo não conseguem traduzir: o peso dos julgamentos, da vergonha, das cobranças, das tentativas frustradas de emagrecer e os impactos emocionais. “Acredito que a obesidade seja a única doença que o paciente é responsabilizado pelo diagnóstico e criticado pelo tratamento. Isso precisa mudar”, afirma a especialista em endocrinologia e metabologia Paula Pires. Agora, com os medicamentos a base de análogos de GLP-1 se tornando mais acessíveis para a população, as famosas “canetas emagrecedoras”, há mais perspectivas para essa jornada.
Mas a balança, embora registre uma parte importante do processo, não traz uma visão completa. “Ela não diz se você perdeu gordura ou músculo, se a glicemia, a pressão e o fígado melhoraram, se está dormindo bem ou se consegue subir uma escada sem dor”, pondera. A médica explica que o cuidado precisa considerar as comorbidades associadas à obesidade, a composição corporal, a saúde mental e o comportamento alimentar, e, desde o início, já deve prever uma manutenção dos resultados para acabar com o temido efeito sanfona. O sucesso, portanto, não deveria ser medido pelos quilos eliminados, mas pelos ganhos em saúde, funcionalidade e qualidade de vida que conseguem se sustentar ao longo do tempo. “Uma perda de 5% a 10% do peso corporal, desde que bem mantida, já diminui riscos de forma muito mais relevante do que uma grande redução que não se sustenta", avalia.
Cuidado que olha o todo Segundo a endocrinologista, para o tratamento de uma paciente com obesidade, a consulta vai muito além da prescrição. É preciso entender quem está diante do médico e como a doença afeta sua rotina. “Buscamos compreender quais são os hábitos, como está a saúde mental, o apetite e a relação com a comida e com o corpo”, lista. Também entram na avaliação parâmetros médicos gerais, como doenças associadas, exames, histórico familiar e outros aspectos de saúde.
A médica reforça a importância do cuidado integrado, envolvendo mais especialistas, como cardiologista, clínico geral, psiquiatra
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