LeiLu · 05/11/2026 06:00
A exaustão invisível: afastamentos por burnout crescem mais de 820% e esgotamento feminino vira crise de saúde pública
Dados oficiais da Previdência Social revelam a gravidade da crise da saúde mental no trabalho: os afastamentos por burnout passaram de 823 em 2021 para 7.595 em 2025 (uma alta de mais de 820%), segundo o g1. Contudo, por trás deste salto estatístico nacional esconde-se um recorte ainda mais alarmante. Uma pesquisa epidemiológica publicada pela Revista Brasileira de Medicina do Trabalho revelou que, do total de casos notificados no país entre 2014 e 2024, 71,6% ocorreram em mulheres, com maior incidência na faixa etária de 35 a 49 anos (56,7%).
Esses índices desnudam uma postura coletiva de exaustão diante da tripla jornada: a maternidade, a vida profissional e os cuidados domésticos, somada à exigência de suporte emocional constante. Da culpa pelo descanso à incapacidade crônica de dizer "não" para preservar limites, esse cansaço é alimentado por engrenagens silenciosas do cotidiano. Algumas especialistas em saúde mental definem o fenômeno como "burnout do cuidado".
Para a psicóloga Elis Carla Sardeto Silva, o primeiro obstáculo para o reequilíbrio é a incapacidade de reconhecer os limites. "Quando determinados comportamentos são repetidos durante anos, deixamos de percebê-los como fontes de sofrimento. A mulher interpreta a exaustão profunda apenas como parte da rotina", identifica ela, que é especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). O descanso não precisa ser justificado pela produtividade.
Quando só nos permitimos parar depois de cumprir todas as tarefas da lista, o descanso vira uma recompensa distante, e não uma necessidade biológica e emocional. Isso gera um ciclo permanente de exaustão Onde estão esses hábitos na rotina? O erro estrutural está em enxergar o esgotamento feminino apenas como consequência de uma carga excessiva de trabalho.
Os verdadeiros gatilhos do esgotamento crônico estão escondidos em microcomportamentos que a sociedade aprendeu a naturalizar e a romantizar. Elis Carla Sardeto Silva identifica que esses hábitos se manifestam em cinco frentes diárias: Culpa por descansar: condicionar o repouso à conclusão de todas as tarefas da lista, o que transforma a pausa em um prêmio distante em vez de uma necessidade biológica; Incapacidade de estabelecer limites: o hábito crônico de dizer "sim" a convites, demandas e favores para evitar conflitos. Essa atitude costuma anular a autocapacidade de sustentação física e mental; Ilusão do "dar conta de tudo": tentar gerenciar simultaneamente a carreira, a vida doméstica, a maternidad
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