LeiLu · 03/11/2026 13:19

Mortalidade do câncer de mama é 4 vezes maior entre as mulheres negras

Mortalidade do câncer de mama é 4 vezes maior entre as mulheres negras

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) lançou, na última semana, a primeira edição do documento Disparidades Raciais e Câncer de Mama, que reúne uma revisão de estudos sobre as diferenças nas taxas de incidência da doença de acordo com a raça das pacientes. O trabalho agrupa os resultados de 24 pesquisas, incluindo um estudo brasileiro que mostrou que a mortalidade por câncer de mama é quase quatro vezes maior entre mulheres negras do que entre brancas no Brasil. E, embora morram mais pelo quadro, pacientes pretas e pardas recebem menos diagnósticos.

A média anual de novos casos é de 101,3 por 100 mil mulheres brancas, contra 59,7 por 100 mil mulheres negras, mostrou a pesquisa. Segundo o oncologista Jessé Lopes, autor principal dessa análise, médico da Oncoclínicas e fundador do Comitê de Diversidade da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), esse grupo apresenta maior frequência de tumores agressivos, mas as diferenças refletem, sobretudo, fatores sociais. “O número é justificado pelo racismo estrutural e institucional, que impõe barreiras sociais e de acesso à saúde, mais do que por características biológicas ou tumorais desfavoráveis dessas pacientes”, afirma. Continua após a publicidade Portanto, para entender essa disparidade, é preciso olhar para o que acontece antes mesmo de o câncer ser diagnosticado: o acesso aos exames, a investigação de sintomas e o tempo até a confirmação da doença. +Leia também: Desigualdade racial atrapalha o diagnóstico e o tratamento do câncer Diagnóstico tardio Parte da diferença pode estar relacionada ao momento em que a doença é identificada.

Segundo a publicação do INCA, mulheres negras apresentam maior proporção de diagnósticos em estágios avançados do câncer de mama. No Brasil, 43,1% delas descobrem a doença nos estágios III e IV (quando já há metástase), contra 35,5% das mulheres brancas, diz a instituição. E um dos fatores associados a esse cenário é a desigualdade no acesso ao rastreamento. “Mulheres negras frequentemente enfrentam mais dificuldades para realizar mamografia”, comenta Lopes.

Na Pesquisa Nacional de Saúde de 2026, 61,8% das mulheres brancas com 50 anos ou mais relataram ter feito mamografia, enquanto entre aquelas que se autodeclaram pretas o índice caiu para 56,5%. Continua após a publicidade As razões para essa diferença, acredita Lopes, vão da falta de acesso a informações sobre a importância do teste a obstáculos para conseguir consultas com especialistas e realização de biópsias. “Além

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