LeiLu · 05/11/2026 04:08
Mulheres negras desafiam barreiras para conhecer o mundo: 'Viajar é romper padrões'
Na infância, a influenciadora Preta Demais, 32, tinha poucas referências de que meninas como ela poderiam, sim, desbravar o mundo. A jornalista Glória Maria era uma delas. Ao vê-la na televisão, conseguia se imaginar conhecendo outros países e ocupando outros espaços.
Aos 28 anos, ela conseguiu realizar sua primeira viagem internacional. Comprou passagens para Paris e Amsterdã e, sozinha, decidiu conhecer a Europa sem falar inglês nem qualquer outro idioma estrangeiro. Seu desejo era passar um tempo fora do Brasil e viver uma experiência de imersão. “Eu queria entender se existiam outros viajantes negros que realmente estivessem lá no mundo, porque vemos pouco disso.
No Brasil, a narrativa sobre viajar e sobre o mundo exterior ainda está muito na mão dos brancos”, conta, em entrevista à Marie Claire. Os vídeos que publicou durante a viagem viralizaram e geraram convites profissionais. Depois de uma parceria com uma companhia aérea, ela percebeu que as viagens podiam se tornar mais uma frente de trabalho, ao lado dos conteúdos de beleza e moda que já produzia.
Hoje, ela busca influenciar outras mulheres negras a buscarem vivências internacionais. Uma das experiências mais recentes foi na China, onde a influenciadora chamou atenção ao mostrar a curiosidade dos moradores locais diante de sua presença. Em alguns momentos, eles se aproximavam para observar sua aparência e até tocar em seu cabelo e em sua pele.
Ela conta que já havia passado por situações semelhantes na Índia e que, apesar do estranhamento inicial, conseguiu estabelecer trocas respeitosas com parte das pessoas que conheceu. “Eles ficam muito curiosos e, às vezes, querem tocar no cabelo ou na pele para ver se sai a tinta, mas sempre em uma relação respeitosa”, relata. Última viagem da influenciadora foi para a China Reprodução/ Instagram Preta atribui a curiosidade, em parte, ao pouco contato que moradores de algumas regiões do país têm com turistas estrangeiros, sobretudo negros. Quando conseguia conversar com os chineses, percebia que muitos nunca tinham visto uma pessoa negra pessoalmente. “Sinto que fico muito aberta para as culturas, mesmo que vá me causar um estranhamento.
Acho que estranho seria se não causasse esse primeiro impacto”, diz. Por outro lado, incomodam os estereótipos associados às brasileiras no exterior. Ao dizer que é do Brasil, ela costuma notar a expectativa de que corresponda a imagens ligadas ao samba, ao futebol e à sexualização do corpo feminino. “Todo mundo quer apre
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