LeiLu · 24/10/2026 04:06

Câncer de mama: o impacto do tratamento na vida sexual que pouco se discute

Câncer de mama: o impacto do tratamento na vida sexual que pouco se discute

Em 2023, tive um câncer de mama hormônio positivo. Fiz a retirada das duas mamas e iniciei o tratamento (duração de 5 anos) com um comprimido diário de Tamoxifeno, uma espécie de medicamento que bloqueia os receptores de estrogênio nas células da mama. Mas, além de todo o baque, medo da morte, ansiedade e insegurança, além de um trabalho intensivo com a autoestima, percebi que a minha vida sexual começou a encontrar desafios relacionados ao tratamento: secura vaginal, vaginoses por repetição, atrofia íntima.

Se eu que trabalho com sexualidade e tenho todo o conhecimento e rede de contatos da área médica próximos a mim, vivo essas dificuldades, imagina a mulher que já se encontrava afastada da própria sexualidade antes mesmo de se tornar paciente oncológica. Muitas mulheres sofrem caladas esses sintomas e desistem de soluções. E estou aqui para dizer que é difícil sim ser uma paciente em tratamento oncológico e que ainda queira manter uma vida sexual ativa, mas não é impossível.

O importante é ter a resiliência necessária para passar por esse turbilhão de questões nessa fase, principalmente no campo da intimidade. Conversei com a doutora Ana Faria, ginecologista e mastologista, da clínica Ava, especializada na saúde da mulher, sobre esse assunto tão desafiador para as pacientes oncológicas: a saúde sexual. Quais os principais desafios sexuais ligados a questões ginecológicas que a mulher enfrenta quando se é paciente em tratamento de câncer de mama?

Os principais desafios são o ressecamento vaginal, a dor na relação e as mudanças no desejo e na resposta sexual. Eles podem aparecer juntos e se alimentar mutuamente, com intensidade diferente para cada mulher. Como a menopausa influencia?

Um dos problemas mais importantes é a síndrome geniturinária da menopausa, que pode ser desencadeada ou agravada pelo tratamento do câncer de mama. A quimioterapia pode comprometer o funcionamento dos ovários, e alguns tratamentos hormonais reduzem intensamente a produção ou bloqueiam a ação do estrogênio. Com isso, os tecidos da vulva e da vagina podem ficar mais finos, menos elásticos e menos lubrificados.

A mulher pode sentir secura, ardência, irritação e dor durante a penetração e, em alguns casos, desconforto mesmo fora da relação. Também podem ocorrer sintomas urinários, como urgência, ardor e infecções urinárias recorrentes. E quem ainda não entrou na menopausa e passa pelo câncer de mama?

Nas mulheres que ainda não estão na menopausa, essa mudança pode ser especialmen

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